As Crônicas de Lettoria – O Último Passeio (Parte 2)
O destino une e separa as pessoas. Ele uniu Cecília e Rafael, tornou-os amigos em sua escola. Não só amigos, mas os melhores amigos que podiam ter. Por causa dessa união eles viveram dois anos de uma amizade muito alegre e saudável. Durante os três primeiros meses eles apenas se falavam eventualmente, quando o faziam acontecia de um modo estranho, talvez inoportuno. Mas essa fase logo passou, e quando isso ocorreu eles se perguntaram porque é que ela havia existido. Rafael e Cecília se tornaram quase inseparáveis. Quando um dos dois não estava presente, o dia do outro era sempre vazio e sem graça, mas servia para fomentar a vontade de ser ver novamente no dia seguinte.
O destino havia os unido, e depois de dois anos, decidia separá-los.
Rafael era filho de um homem de muitas posses que viera de uma terra ao norte de Lettoria, e naquela terra o pequeno Rafael havia crescido, porém, nunca chegara a conhecê-la sequer superficialmente. A casa onde vivia era imensa. Seus professores iam até ele para ensiná-lo e ele se divertia a sós no quintal grandioso da casa dos familiares. Naquele tempo, Rafael não tinha amigos e seu pai, como sempre, era bastante ausente em sua vida, apesar de repetir constantemente que acompanhava cada passo de seu filho.
Assim que se mudara para Lettoria a vida de Rafael sofreu uma mudança radical, no que diz respeito a sair de casa e conhecer outras pessoas. Seu pai o matriculara em um colégio relativamente barato para seu status monetário e lá ele conhecera Cecília, com quem criara um laço muito forte de amizade. Agora, porém, que eles tinham um ao outro enquanto pessoas que se amavam, o pai de Rafael lhe dera a notícia de que voltariam para sua terra natal. Notícia esta que Rafael deu a Cecília com grande revolta e pesar. Juntos eles choraram, porque não queriam se separar e marcaram para a véspera da viagem de Rafael seu último passeio de bicicleta juntos.
Rafael adorava bicicletas. Tinha uma vasta coleção delas, e qualquer outra que ele quisesse, ele teria. No anivesário de Cecília ele a levara a uma loja de bicicletas com o pretexto de que iria comprar uma nova peça para sua coleção e então lhe perguntara de qual, entre todas as bicicletas da loja, ela mais gostara e então lhe deu de presente. Ela confessou, porém que não sabia pedalar e ele fez questão de ensiná-la.
Logo que ela havia aprendido eles passaram a passear pela cidade em seu tempo livre e esta era uma das coisas que mais gostavam de fazer juntos.
Naquela noite, Rafael e Cecília pedalaram até a praia e, quando chegaram, uma forte chuva começou a cair.
Eles desceram de suas bicicletas e caminharam com elas até a beira do cais, onde sentaram-se lado a lado e ficaram a ver, sob a chuva, o mar e as nuvens relampejantes do céu noturno.
Suas mãos unidas como os elos de uma corrente.
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Me surpreendi e quase chorei. Adoro contos de romance. Engraçado que a forma que Cecília e Rafael se conheceram e se apaixonaram é bem parecida comigo e com Alberth ^^
Parabéns!!