As Crônicas de Lettoria – O Último Passeio (parte 4)
Várias horas se passaram enquanto Rafael e Cecília desfrutavam da presença um do outro. A chuva passou com essas horas, mas não o vento. As roupas ficaram encharcadas por causa da chuva, mas isso não importava muito, porque eles não estavam vestindo a maior parte delas.
Eles já não se viam como amigos. A idéia parecia ter se esvaído, banida de suas mentes em algum momento do seu ato amoroso, o qual eles haviam consumado não no cais, mas num canto recluso da praia, próximo aos mangues. Agora que os dois haviam se amado o suficiente, olhavam as estrelas no céu sem nuvens. Cecília com uma expressão um tanto distante no rosto.
-O que houve? – Rafael perguntou virando-se para ela.
-É sobre isso que a gente fez. – ela respondeu. – Podem haver consequências . . . – concluiu temerária.
-Não vai acontecer nada. Não se preocupe. – Rafael disse tentando comfortá-la. Tomou a mão dela na sua.
-Mas, pode acontecer algo, Rafa. – ela retrucou.
-Pode, mas não vai. Acredite. – Rafel respondeu, beijando-a no rosto carinhosamente.
Ele parecia ter muita certeza do que dizia. Essa certeza afetava Cecília, e ela se sentiu temporariamente convencida e mais tranquila.
-Vamos limpar essa areia toda na água do mar, o que você acha? – ele sugeriu.
-Tudo bem.
Ele levantou primeiro e então a ajudou a levantar. Juntos, vestindo somente as roupas íntimas, eles foram até o mar, avançando até a água lhes bater na cintura. A cada onda que vinha, eles se curvavam e jogavam água um no outro, limpando a areia do corpo. À distância, pareciam fantasmas pálidos deleitando-se nas águas do mar. Suas silhuetas turvas dançavam na escuridão da praia, e eles sorriam juntos. Rafael se aproximou e pôs as mãos ao redor da cintura de Cecília, ela pôs as suas ao redor do pescoço dele e eles se beijaram.
-Vai ficar tudo bem, certo? – disse Rafael. E Cecília assentiu, com um pequeno sorriso no rosto.
Depois de se livrarem da areia, eles voltaram ao lugar onde haviam deixado suas roupas e depois foram ao cais, pegar as bicicletas.
Vestiram-se e então subiram nas bicicletas.
-Não posso chegar em casa assim. – declarou Cecília. Rafael sabia disso e já havia pensado sobre o assunto.
-Você pode tomar um banho na minha casa, se enxugar, trocar as roupas e então ir.
-Certo. Você fica com estas roupas que eu estou usando agora. Eu visto roupas suas e fico com elas, de lembrança, que tal? – Cecília sugeriu.
-Ótima idéia. – respondeu Rafael com um risinho. – Não tem problema você chegar em casa com as minhas roupas?
-Muito melhor chegar com as suas roupas secas do que com as minhas molhadas. Todos vão estar dormindo por lá, quando eu chegar vou vestir roupas minhas, vai ser um crime perfeito. – disse Cecília rindo e fazendo Rafael rir.
-Vai, vai sim. Vamos então. – ele disse ao começarem a pedalar em direção à casa em que vivia.
Todos os direitos reservados*

Estou me apaixonando por eles.