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	<title>O Espelho - Fronteira</title>
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		<title>O Espelho - Fronteira</title>
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		<title>A Figura do Guerreiro &#8211; Parte 1</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 03:25:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Serrão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Post]]></category>

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		<description><![CDATA[Luís tinha muito orgulho da profissão exótica de seu pai. Adorava dizer aos colegas que o seu pai era antropólogo e que por isso viajava muito a vários países diferentes e distantes. Augusto, o pai de Luís, sempre voltava um pouco mudado depois de cada viagem, por mais curtas que fossem. Às vezes voltava doente, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thandre.wordpress.com&amp;blog=7063063&amp;post=383&amp;subd=thandre&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Luís tinha muito orgulho da profissão exótica de seu pai. Adorava dizer aos colegas que o seu pai era antropólogo e que por isso viajava muito a vários países diferentes e distantes. Augusto, o pai de Luís, sempre voltava um pouco mudado depois de cada viagem, por mais curtas que fossem. Às vezes voltava doente, às vezes mais gordo, às vezes mais bronzeado, não importava qual fosse, sempre havia alguma mudança. Luís se divertia imaginando como estaria o pai antes de vê-lo chegar no aeroporto e se divertia mais ainda ao vê-lo desembarcar de suas viagens. Augusto também sempre trazia histórias novas pro seu filho. Contava sobre os animais que via, sobre as pessoas exóticas, as comidas de sabor curioso e sobre o que quer que ele houvesse ido fazer naquele país distante. Luís gravava em sua lembrança as memórias correspondentes a cada viagem com afinco e então as contava na escola e as contava com gosto especial ao seu melhor amigo Pedro. Havia, no entanto, algo que Luís gostava ainda mais que as mudanças do pai ou de suas histórias. Augusto sempre trazia presentes especiais para Luís e o filho amava cada um deles. Os presentes variavam sempre, mas não em um aspecto, eram sempre artesanatos típicos de cada região visitada. Luís admitia internamente que o pai tinha muito bom gosto e que sempre trazia presentes muito interessantes. De uma forma ou de outra, eles sempre refletiam o que havia de peculiar no país e ao mesmo tempo tinham algum significado que aproximava pai e filho.<br />
Quando luís tinha 10 anos, seu pai voltou de uma viagem a um país muito distante no oriente. Luís sabia que as pessoas do oriente eram bem diferentes das que ele conhecia. Lembrava do pai dizer que eles tinha um forte espiritualismo ligado às suas culturas. Lembrava que eles eram todos parecidos, apesar de serem de países diferentes.<br />
Augusto voltara mais lento, parecia estar falando um pouco mais devagar, quando voltou do país oriental. Luís ria da nova fala do pai.<br />
&#8220;Trouxe um presente mais especial ainda, dessa vez filho&#8221; disse Augusto abraçando o filho, falando com seu novo ritmo de voz.<br />
Luís sorriu de orelha a orelha, mas não teve coragem de perguntar. Não via nenhum pacote embrulhado em nenhum lugar da bagagem do pai. Só sobrava sua grande mochila.<br />
O presente estava lá, Luís sabia. Queria ver, mas também adorava aquela ansiedade que lhe roía os ossos.<br />
Por enquanto, iria rir com o pai e a mãe, escutaria as primeiras histórias intrigantes, e veria seu presente quando chegasse em casa.</p>
<p>Ao chegar em casa Luís desembrulhou o papel de seda delicadamente, revelando pouco a pouco o seu novo presente.<br />
Ficou profundamente impressionado com o que viu.<br />
Era um boneco vestindo uma imponente armadura e portando um par de espadas em duas bainhas muito bonitas presas à altura de seu quadril.<br />
Tinha a mão esquerda pousada sobre a bainha da espada maior e a direita em volta do cabo da mesma.<br />
A expressão em seu rosto era feroz e serena.<br />
Luís o admirava de olhos arregalados e tocava aquela figura que transmitia poder e delicadeza.<br />
O boneco devia ter pouco menos que duas vezes o tamanho da sua mão em palma.<br />
Augusto explicava cada parte da armadura e da vestimenta conforme Luís pousava os olhos sobre elas.<br />
Aquele presente certamente era mais especial que todos os outros que Luís já ganhara.<br />
Agora, emergindo do transe em que havia entrado ao ver aquela figura, Luís pensou, &#8220;Tenho que mostrar isso ao Pedro!&#8221;<br />
E no dia seguinte, na escola, foi o que ele fez.</p>
<p>Todos os direitos reservados* </p>
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		<title>O Mago</title>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2011 03:22:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Serrão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica de Ficção]]></category>

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		<description><![CDATA[O mago era um homem quase como se não o fosse. Era mais como um mistério com forma humana. O mago tinha uma aparência um tanto assustadora, apesar do fato de ser jovem. Seu rosto refletia serenidade e ao mesmo tempo uma intensa fúria latente. Não era um rosto convidativo, ou carismático. Era ideal para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thandre.wordpress.com&amp;blog=7063063&amp;post=370&amp;subd=thandre&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O mago era um homem quase como se não o fosse.<br />
Era mais como um mistério com forma humana.</p>
<p>O mago tinha uma aparência um tanto assustadora, apesar do fato de ser jovem. Seu rosto refletia serenidade e ao mesmo tempo uma intensa fúria latente. Não era um rosto convidativo, ou carismático. Era ideal para ele. Os cabelos eram castanhos e sempre muito curtos, pois ele os raspava em intervalos semanais. A barba sempre estava mal feita e de algum modo parecia demasiado áspera. As sobrancelhas eram grossas e curvadas como um arco. Os olhos fundos e escuros lembravam janelas fechadas que escondiam um segredo deveras tenebroso.<br />
O mago sempre usava luvas. Luvas velhas que nunca cobriam as pontas de todos os dedos. Ele também sempre parecia usar roupas demais. Parecia sempre estar vestido para encarar o inverno.<br />
Muitos não gostavam dele, muitos pediam sua ajuda e, todos, sem exceção, o temiam.<br />
As crianças corriam ao avistá-lo e os adultos geralmente olhavam desconfiados até que ele saísse do campo de visão, às vezes gritavam para que ele fosse embora e ainda havia alguns que simplesmente entravam em suas casas e torciam para que o homem se afastasse logo.<br />
Nas cidades pelas quais ele passava as pessoas sempre se perguntavam o que lhe dava vontade de viver, pois nada parecia trazer contento àquela criatura sombria e solitária. A explicação mais popular era a de que ele havia se envolvido e estudado as obscuridades do ocultismo e da magia a tal ponto que perdera parte do juízo juntamente com tudo que eventualmente possuíra antes, coisas que os homens comuns têm e difícilmente dispensam, como um lar e uma família para amar.<br />
O mago parecia não gostar de dinheiro, nem de pessoas. Talvez ainda tivesse um pouco de afeição guardada para estas últimas, embora provavelmente a mantivesse bastante escondida dentro de si.<br />
O mago ganhava dinheiro por matar pessoas.<br />
Mas ele não matava qualquer indivíduo. Além disso, o mago não era um assassino de aluguel.<br />
Segundo as palavras do próprio mago “O que eu faço é atenuar o sofrimento alheio”.<br />
As pessoas lhe pagavam com dinheiro ou comida (e ele mais frequentemente preferia a comida, embora a recebesse com menor frequência) para que ele desse fim à vida de moribundos ou de qualquer outro que estivesse mergulhado em sofrimento e pronto para confrontar a morte.<br />
Aqueles que estavam prestes a deixar o mundo dos vivos e que não estavam prontos para enfrentar a morte também arriscavam em pedir ao mago para lhes ajudar na travessia da realidade sólida e espinhenta, onde só havia dor e sofrimento, para a eternidade silenciosa, onde não só as pessoas esperavam, mas também onde o sinistro homem sem nome afirmava estar o descanso final.<br />
O mago não prestava seus serviços a todo aquele que lhe pedisse por ajuda. Julgava as pessoas e só ajudava aquelas que acreditava que merecessem fim para seus sofrimentos. Ele permitia que os entes queridos do moribundo assistissem-no partir e permitia também que estes mesmos entes interrompessem seu ritual, se o achassem necessário.</p>
<p>&#8220;Siga a minha voz e me deixe ajudá-lo a sair daqui&#8221;, dizia o mago ao ouvido de seus clientes moribundosm, enquanto lhes segurava a mão, ou lhes punha a mão esquerda sobre a testa.<br />
Seguido disto, em poucos instantes era possível escutar o último suspiro daquele que estava prestes a morrer.<br />
Um suspiro de alívio, como o de alguém que entrega algo muito valoroso a outro em quem confia incondicionalmente.</p>
<p>Todos os direitos reservados*</p>
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		<title>A Cabana Onírica</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Dec 2010 05:48:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Serrão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Post]]></category>

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		<description><![CDATA[Longe daqui, em um lugar que não podemos alcançar por mera força da vontade há um pântano de atmosfera estranha. Veja bem, esse pântano não tem um cheiro comum, e seres comuns não vivem nele. Entre os seres estranhos que por lá vivem há uma senhora de idade desconhecida. O tempo lhe conferiu uma imagem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thandre.wordpress.com&amp;blog=7063063&amp;post=332&amp;subd=thandre&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Longe daqui, em um lugar que não podemos alcançar por mera força da vontade há um pântano de atmosfera estranha.</p>
<p>Veja bem, esse pântano não tem um cheiro comum, e seres comuns não vivem nele. Entre os seres estranhos que por lá vivem há uma senhora de idade desconhecida. O tempo lhe conferiu uma imagem indigna de sua personalidade, pois ela é bastante agradável, mas parece ser vil e cruel.</p>
<p>Ninguém sabe o nome da simpática senhora, mas a chamam de “A dona dos sonhos”. São deveras poucos os que conseguem uma oportunidade de visitar a estranha senhora em seu estranho pântano e estes poucos, não sabem realmente o que fizeram ou qual o caminho que percorreram para conhecer “A dona dos sonhos” e a sua humilde casa chamada “Cabana Onírica”.</p>
<p>A “Cabana” não é somente o lar da simpática senhora do pântano. É também uma loja! A aparência da cabana é muito simples e precária, porém, há algo nela, além da presença de sua moradora, que causa aos visitantes uma curiosa sensação de conforto.</p>
<p>O que é vendido nessa cabana? Ora, as mais diversas poções feitas pela própria dona da cabana. Poções de conteúdos difíceis de serem imaginados. Poções que são compradas por preço algum! Mas, que a gentil senhora não permite que sejam consumidas mais de uma vez por seus visitantes.</p>
<p>Há espalhados na cabana os mais variados potes de vidro, taças, garrafas e até mesmo barris das poções produzidas pela velhinha simpática. Aos visitantes,  a anfitriã oferece produtos como “loção de alegria”, “suco de mágoa”, “licor de saudade” e assim em diante com praticamente um produto diferente para cada sentimento que somos capazes de experimentar durante a vida. </p>
<p>É verdade também, que dentre as pessoas que visitam a cabana, nenhuma volta a seja lá qual for o lugar de onde tenha vindo. Qualquer um que entre na cabana, não sai dela. O motivo pelo qual isso acontece é um mistério. E não há curiosos para se interessarem em sabê-lo!</p>
<p>As únicas coisas que interessam ali são o pântano com sua atmosfera exótica, a Cabana, feita de tábuas e cheia de vidros com conteúdos intrigantes e aquela simpática senhora de olhar gentil e voz confortante.</p>
<p>Todos os direitos reservados* </p>
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		<title>As Crônicas de Lettoria &#8211; O Último Passeio (parte final)</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Dec 2010 14:06:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Serrão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Post]]></category>

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		<description><![CDATA[Às onze horas do dia 14 de dezembro um trem partiu da cidade de Lettoria para terras distantes bem mais ao norte. Dentro desse trem ia um jovem rapaz que observava a paisagem janela afora com olhos marejados. Seu nome era Rafael e ele há pouco deixara a primeira garota que amara e por quem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thandre.wordpress.com&amp;blog=7063063&amp;post=309&amp;subd=thandre&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Às onze horas do dia 14 de dezembro um trem partiu da cidade de Lettoria para terras distantes bem mais ao norte. Dentro desse trem ia um jovem rapaz que observava a paisagem janela afora com olhos marejados. Seu nome era Rafael e ele há pouco deixara a primeira garota que amara e por quem fora amado em sua vida. Ela havia o visto ir, chorando enquanto ele lá dentro também chorava e acenava adeus.<br />
Somente promessas haviam sobrado. Mas, era alguma delas concreta? Era alguma delas ao menos <em>provável</em>?<br />
O destino tinha as respostas. E ele não as concederia antes do tempo certo.<br />
E esse tempo certo, quando chegaria? Em semanas, em meses, anos?<br />
Havia algo um pouco mais urgente.<br />
Algo que poderia mudar drasticamente a vida de de Cecília em poucos meses.<br />
Algo que jamais ela imaginara que ocorreria a ela.<br />
Algo que a fazia sofrer antecipadamente.<br />
E que também pertubava a Rafael.<br />
Havia uma culpa avassaladora que mordia sua consciência e o perturbava. Sempre houvera uma solução para os dilemas de sua vida, pois seu pai tinha poder, dinheiro e influência. Mas, isto que ocorria agora talvez nem devesse chegar aos ouvidos de seu pai. Ou dos pais de Cecília.<br />
Nenhuma certeza havia sobrado. A esperança havia fugido também. Mas, o sofrimento e a angústia pareciam à vontade o suficiente para dar as caras naquela situação.<br />
As perspectivas de Rafael e Cecília agora eram no mínimo desfavoráveis, em qualquer que fosse o sentido.<br />
E o que restaria a eles?<br />
O que restaria <em>deles</em>?</p>
<p>Cecília Fraga abraçava-se aos prantos, solitária e triste na plataforma ferroviária, enquato outros econtros e desencontros por ali aconteciam. Chorava, enquanto um bocado de desespero lhe arranhava as entranhas e o trem de Rafel sumia com a distância.</p>
<p>Todos os direitos reservados*</p>
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		<item>
		<title>As Crônicas de Lettoria &#8211; O Último Passeio (parte 5)</title>
		<link>http://thandre.wordpress.com/2010/12/08/as-cronicas-de-lettoria-o-ultimo-passeio-parte-final/</link>
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		<pubDate>Wed, 08 Dec 2010 11:50:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Serrão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Post]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;-Você acha que alguém viu o que a gente fez? &#8211; Cecília perguntara a Rafael. Por alguma razão estranha aquela pergunta a divertia, ela lhe lançou um olhar vívido. Antes de responder ele fez um sorriso maroto. -Não sei. Talvez tenham visto. &#8211; disse e riu. &#8211; Se alguém viu, ganhou o dia, não foi? [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thandre.wordpress.com&amp;blog=7063063&amp;post=302&amp;subd=thandre&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;-Você acha que alguém viu o que a gente fez? &#8211; Cecília perguntara a Rafael. Por alguma razão estranha aquela pergunta a divertia, ela lhe lançou um olhar vívido.<br />
Antes de responder ele fez um sorriso maroto.<br />
-Não sei. Talvez tenham visto. &#8211; disse e riu. &#8211; Se alguém viu, ganhou o dia, não foi? Acho que não foi algo ruim de ser ver! &#8211; terminou abrindo um sorriso grande.<br />
Ela riu bastante.<br />
-Tem razão. Se alguém viu, deve ter achado que ganhou o dia, afinal, pra presenciar algo tão bom . . .<br />
-Sim . . .<br />
E agora olhavam-se. Beijaram-se mais uma vez, porque se amavam muito e porque não queriam se separar.<br />
Cecília o abraçou bem forte, recostou o rosto bem junto ao pescoço dele e suspirou.<br />
Ela queria dizer &#8220;Volte, Rafa. Vá e depois volte para cá. Porque eu te amo muito.&#8221; e queria perguntar também &#8220;Você não vai me esquecer, vai Rafa? Me ama de verdade e vai tentar ficar junto de mim, não é? E se nós tivermos um filho? Você não vai me abandonar, não é?&#8221;.<br />
E Cecília sentia-se muito mal por querer dizer tudo isso. Porque havia um peso nas palavras. E porque mesmo que ela lhe pedisse, e perguntasse agora, ele poderia mentir. Ou poderia até tentar falar a verdade, mas o destino poderia transformar as palavras dele em mentiras, fazendo as promessas voarem ao vento.<br />
Por isso, Cecília decidiu falar somente &#8220;Eu te amo&#8221;.<br />
E quando estava quase falando . . .<br />
-Eu te amo muito, Cecília. &#8211; Ele falou. E soou verdadeiro. Soou tão verdadeiro que ela pôde sentir com seu coração a verdade nas palavras dele. E não era aquela, afinal, a resposta para suas aflições? Era, sim. Pelo menos por enquanto.<br />
&#8220;Eu te amo muito, Cecília&#8221; . . . As palavras ecoavam na mente dela. A voz dele estava embargada. E agora ele segurava o choro. Mas, duas lágrimas caíram sobre a camisa que ela usava, que era não de outro, mas do próprio Rafael.<br />
Ela o beijou no rosto. O rosto estava quente por causa do choro. Foi um beijo de consolo. Sim, porque ela percebera que ele também sofria e ela o amava, um beijo carinhoso como o de uma mãe seria algo bom para ele agora.<br />
A mão dela passou por entre os cabelos dele e ela a manteve lá por alguns intantes, como fizera quando estavam se amando na praia.<br />
-Vou estar lá amanhã pra ver você ir. E pra torcer que nós permaneçamos juntos. &#8211; a voz dela estava um pouco trêmula, mas não tanto quanto a dele.<br />
Ele agora chorava realmente e não deu nenhuma resposta com palavras. Apenas assentiu, continuando a abraçá-la.<br />
E então ele a levou até a porta de casa e ela se foi, beijando-o antes de fazê-lo.<br />
Do mesmo jeito que ele iria dali a horas que seriam muito curtas.&#8221;</em></p>
<p>Todos os direitos reservados*</p>
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		<item>
		<title>As Crônicas de Lettoria &#8211; O Último Passeio (parte 4)</title>
		<link>http://thandre.wordpress.com/2010/11/25/as-cronicas-de-lettoria-o-ultimo-passeio-parte-4/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 14:49:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Serrão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Post]]></category>

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		<description><![CDATA[Várias horas se passaram enquanto Rafael e Cecília desfrutavam da presença um do outro. A chuva passou com essas horas, mas não o vento. As roupas ficaram encharcadas por causa da chuva, mas isso não importava muito, porque eles não estavam vestindo a maior parte delas. Eles já não se viam como amigos. A idéia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thandre.wordpress.com&amp;blog=7063063&amp;post=296&amp;subd=thandre&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Várias horas se passaram enquanto Rafael e Cecília desfrutavam da presença um do outro. A chuva passou com essas horas, mas não o vento. As roupas ficaram encharcadas por causa da chuva, mas isso não importava muito, porque eles não estavam vestindo a maior parte delas. </p>
<p>Eles já não se viam como amigos. A idéia parecia ter se esvaído, banida de suas mentes em algum momento do seu ato amoroso, o qual eles haviam consumado não no cais, mas num canto recluso da praia, próximo aos mangues. Agora que os dois haviam se amado o suficiente, olhavam as estrelas no céu sem nuvens. Cecília com uma expressão um tanto distante no rosto.</p>
<p>-O que houve? &#8211; Rafael perguntou virando-se para ela.</p>
<p>-É sobre isso que a gente fez. &#8211; ela respondeu. &#8211; Podem haver consequências . . . &#8211; concluiu temerária.</p>
<p>-Não vai acontecer nada. Não se preocupe. &#8211; Rafael disse tentando comfortá-la. Tomou a mão dela na sua. </p>
<p>-Mas, <em>pode</em> acontecer algo, Rafa. &#8211; ela retrucou.</p>
<p>-Pode, mas não vai. Acredite. &#8211; Rafel respondeu, beijando-a no rosto carinhosamente. </p>
<p>Ele parecia ter muita certeza do que dizia. Essa certeza afetava Cecília, e ela se sentiu temporariamente convencida e mais tranquila.</p>
<p>-Vamos limpar essa areia toda na água do mar, o que você acha? &#8211; ele sugeriu.</p>
<p>-Tudo bem.</p>
<p>Ele levantou primeiro e então a ajudou a levantar. Juntos, vestindo somente as roupas íntimas, eles foram até o mar, avançando até a água lhes bater na cintura. A cada onda que vinha, eles se curvavam e jogavam água um no outro, limpando a areia do corpo. À distância, pareciam fantasmas pálidos deleitando-se nas águas do mar. Suas silhuetas turvas dançavam na escuridão da praia, e eles sorriam juntos. Rafael se aproximou e pôs as mãos ao redor da cintura de Cecília, ela pôs as suas ao redor do pescoço dele e eles se beijaram.</p>
<p>-Vai ficar tudo bem, certo? &#8211; disse Rafael. E Cecília assentiu, com um pequeno sorriso no rosto.</p>
<p>Depois de se livrarem da areia, eles voltaram ao lugar onde haviam deixado suas roupas e depois foram ao cais, pegar as bicicletas.<br />
Vestiram-se e então subiram nas bicicletas. </p>
<p>-Não posso chegar em casa assim. &#8211; declarou Cecília. Rafael sabia disso e já havia pensado sobre o assunto.</p>
<p>-Você pode tomar um banho na minha casa, se enxugar, trocar as roupas e então ir.</p>
<p>-Certo. Você fica com estas roupas que eu estou usando agora. Eu visto roupas suas e fico com elas, de lembrança, que tal? &#8211; Cecília sugeriu.</p>
<p>-Ótima idéia. &#8211; respondeu Rafael com um risinho. &#8211; Não tem problema você chegar em casa com as minhas roupas?</p>
<p>-Muito melhor chegar com as suas roupas secas do que com as minhas molhadas. Todos vão estar dormindo por lá, quando eu chegar vou vestir roupas minhas, vai ser um crime perfeito. &#8211; disse Cecília rindo e fazendo Rafael rir.</p>
<p>-Vai, vai sim. Vamos então. &#8211; ele disse ao começarem a pedalar em direção à casa em que vivia.</p>
<p>Todos os direitos reservados*</p>
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		<item>
		<title>As Crônicas de Lettoria &#8211; O Último Passeio (Parte 3)</title>
		<link>http://thandre.wordpress.com/2010/11/15/as-cronicas-de-lettoria-o-ultimo-passeio-parte-3/</link>
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		<pubDate>Mon, 15 Nov 2010 23:57:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Serrão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Post]]></category>

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		<description><![CDATA[Rafael e Cecília sentaram juntos à beira do cais. Seus pés balançando poucos centímetros acima da água do mar. Agora não somente suas mãos estavam, mas também seus braços e rostos encostados um no outro. -Você acha que volta em dois anos, não é? &#8211; disse Cecília. -Se eu puder voltar antes, eu vou voltar. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thandre.wordpress.com&amp;blog=7063063&amp;post=290&amp;subd=thandre&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rafael e Cecília sentaram juntos à beira do cais. Seus pés balançando poucos centímetros acima da água do mar. Agora não somente suas mãos estavam, mas também seus braços e rostos encostados um no outro.</p>
<p>-Você acha que volta em dois anos, não é? &#8211; disse Cecília.<br />
-Se eu puder voltar antes, eu vou voltar. Depende de como as coisas com o papai terminarem. Ele está ansioso para me iniciar nos negócios da companhia.<br />
-Você vai ficar muito ocupado . . . Como o seu pai . . . &#8211; ela falou num tom desesperançoso e encarou o olhar dele.</p>
<p>Sim, era verdade. O pai de Rafael era demasiadamente ocupado. Por isso quase não tinha tempo para sua família, ou mesmo para o filho. E caso Rafael fosse mergulhado naquele mundo &#8211; coisa essa que era simplesmente inevitável &#8211; a mesma solidão entorpecida pela vida intensa de trabalho tomaria conta dele, e o afastaria da volta a Lettoria, e consequentemente, de Cecília. E quanto aos dois anos que se passariam? Ao fim deles, Rafael já seria um jovem homem, do jeito que seu pai há tanto esperava. Tudo isso lhe veio à mente antes de ele a responder.</p>
<p>-Mas, eu sou diferente dele. Eu posso tentar não trabalhar tanto, ou quem sabe transferir um escritório da companhia para cá.</p>
<p>Ela absorveu as palavras. Queria muito que aquilo que ele dizia pudesse se tornar verdade, mas parecia improvável.</p>
<p>-Seu pai não pode lhe dar um cargo com menos responsabilidades e continuar a administrar a companhia como ele faz hoje? &#8211; ela perguntou.</p>
<p>Rafael pensou. Talvez seu pai pudesse lhe dar um cargo com menos responsabilidade que os principais cargos adminstrativos, os quais já estavam preenchidos por seus assistentes e sócios, mas duvidava que &#8220;menos responsabilidades&#8221; fosse significar &#8220;poucas responsabilidades&#8221;.</p>
<p>-Ele quer que eu comece a aprender como vai ser o meu futuro como presidente da companhia. Não quer que eu tenha poucas responsabilidades. . .</p>
<p>E então ele perceberam que havia algo de inquietante e triste naquela discussão. Cecília decidia agora que aquela conversa devia ser adiada. Não devia ser omitida, porque eles precisavam de uma promessa que acalmasse seus corações, mas agora não era a hora de terminá-la.</p>
<p>-Rafa, vamos deixar isso por enquanto, tá bom? &#8211; disse ela. Encarando-o quase de frente. E ele, que pretendia falar mais alguma coisa, se calou e olhou no fundo dos olhos dela.</p>
<p>Nessa hora o coração de Rafael bateu tão forte que o causou um pouco de medo. Foi como se de repente Cecília o tivesse feito entender algo muito intenso e muito agradável, porém, era algo que necessitava um bocado de coragem para ser descoberto. E Rafael, não por acaso, encontrou uma coragem escondida em alguma parte de si, esperando pra ser usada.</p>
<p>-Aham. Não vamos falar disso agora. &#8211; respondeu num tom muito baixo. O assunto anterior já quase completamente esquecido e agora seus rostos se aproximavam.<br />
Rafael pôs a mão direita no pescoço de Cecília, seus rostos já estavam muito próximos, o toque primeiramente foi gelado, mas logo ele pôde sentir o calor que vinha da pele dela.</p>
<p>Eles fecharam os olhos e se beijaram. </p>
<p>Seus lábios se tocaram suavemente ao soprar do vento e ao cair da chuva.<br />
Eles se aproximaram mais um do outro e o beijo passou a ser mais intenso. Trovões soavam e brilhavam violentos acima de suas cabeças, agora pareciam fogos de artifício, comemorando aquela cena.<br />
Todo o resto do mundo era esquecido por Rafael e Cecília.</p>
<p>Somente eles existiam. Um para o outro.</p>
<p>Para se amarem naquele momento.</p>
<p>Todos os direitos reservados*</p>
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	</item>
		<item>
		<title>As Crônicas de Lettoria &#8211; O Último Passeio (Parte 2)</title>
		<link>http://thandre.wordpress.com/2010/11/02/as-cronicas-de-lettoria-o-ultimo-passeio-parte-2/</link>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 02:16:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Serrão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Post]]></category>

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		<description><![CDATA[O destino une e separa as pessoas. Ele uniu Cecília e Rafael, tornou-os amigos em sua escola. Não só amigos, mas os melhores amigos que podiam ter. Por causa dessa união eles viveram dois anos de uma amizade muito alegre e saudável. Durante os três primeiros meses eles apenas se falavam eventualmente, quando o faziam [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thandre.wordpress.com&amp;blog=7063063&amp;post=280&amp;subd=thandre&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O destino une e separa as pessoas. Ele uniu Cecília e Rafael, tornou-os amigos em sua escola. Não só amigos, mas os melhores amigos que podiam ter. Por causa dessa união eles viveram dois anos de uma amizade muito alegre e saudável. Durante os três primeiros meses eles apenas se falavam eventualmente, quando o faziam acontecia de um modo estranho, talvez inoportuno. Mas essa fase logo passou, e quando isso ocorreu eles se perguntaram porque é que ela havia existido. Rafael e Cecília se tornaram quase inseparáveis. Quando um dos dois não estava presente, o dia do outro era sempre vazio e sem graça, mas servia para fomentar a vontade de ser ver novamente no dia seguinte.</p>
<p>O destino havia os unido, e depois de dois anos, decidia separá-los.</p>
<p>Rafael era filho de um homem de muitas posses que viera de uma terra ao norte de Lettoria, e naquela terra o pequeno Rafael havia crescido, porém, nunca chegara a conhecê-la sequer superficialmente. A casa onde vivia era imensa. Seus professores iam até ele para ensiná-lo e ele se divertia a sós no quintal grandioso da casa dos familiares. Naquele tempo, Rafael não tinha amigos e seu pai, como sempre, era bastante ausente em sua vida, apesar de repetir constantemente que acompanhava cada passo de seu filho.</p>
<p>Assim que se mudara para Lettoria a vida de Rafael sofreu uma mudança radical, no que diz respeito a sair de casa e conhecer outras pessoas. Seu pai o matriculara em um colégio relativamente barato para seu status monetário e lá ele conhecera Cecília, com quem criara um laço muito forte de amizade. Agora, porém, que eles tinham um ao outro enquanto pessoas que se amavam, o pai de Rafael lhe dera a notícia de que voltariam para sua terra natal. Notícia esta que Rafael deu a Cecília com grande revolta e pesar. Juntos eles choraram, porque não queriam se separar e marcaram para a véspera da viagem de Rafael seu último passeio de bicicleta juntos.</p>
<p>Rafael adorava bicicletas. Tinha uma vasta coleção delas, e qualquer outra que ele quisesse, ele teria. No anivesário de Cecília ele a levara a uma loja de bicicletas com o pretexto de que iria comprar uma nova peça para sua coleção e então lhe perguntara de qual, entre todas as bicicletas da loja, ela mais gostara e então lhe deu de presente. Ela confessou, porém que não sabia pedalar e ele fez questão de ensiná-la.</p>
<p>Logo que ela havia aprendido eles passaram a passear pela cidade em seu tempo livre e esta era uma das coisas que mais gostavam de fazer juntos.</p>
<p>Naquela noite, Rafael e Cecília pedalaram até a praia e, quando chegaram, uma forte chuva começou a cair.</p>
<p>Eles desceram de suas bicicletas e caminharam com elas até a beira do cais, onde sentaram-se lado a lado e ficaram a ver, sob a chuva, o mar e as nuvens relampejantes do céu noturno. </p>
<p>Suas mãos unidas como os elos de uma corrente.</p>
<p>Todos os direitos reservados.</p>
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		<title>As Crônicas de Lettoria &#8211; O Último Passeio (Parte 1)</title>
		<link>http://thandre.wordpress.com/2010/10/25/as-cronicas-de-lettoria-o-ultimo-passeio/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Oct 2010 01:48:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Serrão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica de Ficção]]></category>

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		<description><![CDATA[Rafael pedalava cidade adentro em direção ao lugar marcado para o passeio noturno. Pedalava com pressa, sentindo o vento gelado soprando no rosto. As luzes corriam aos lados dele conforme ia passando pelas casas e prédios. Passava por praças, avenidas, ruas estreitas, indo em direção à parte mais alta do bairro. Imaginava se Cecília já [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thandre.wordpress.com&amp;blog=7063063&amp;post=274&amp;subd=thandre&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rafael pedalava cidade adentro em direção ao lugar marcado para o passeio noturno. Pedalava com pressa, sentindo o vento gelado soprando no rosto.<br />
As luzes corriam aos lados dele conforme ia passando pelas casas e prédios. Passava por praças, avenidas, ruas estreitas, indo em direção à parte mais alta do bairro.<br />
Imaginava se Cecília já teria chegado, ou se a encontraria no meio caminho. A ansiedade o levava a desejar encontrá-la logo, em uma rua ali perto, pra que o passeio começasse logo. Mas uma outra parte dele desejava encontrá-la somente no local marcado. Talvez sentada num dos bancos da praça, ou mesmo em pé, fitando a direção da rua da qual ele surgiria.<br />
Ele intuía que a segunda opção era mais provável, e por isso, chegaria por uma rua diferente, através de um caminho um pouco mais longo, vindo pela direção oposta à que ela estaria atenta.<br />
Rafael gostava de surpresas, e gostava especialmente de fazer surpresas para Cecília, por mais simples que fossem.<br />
Logo ele já podia avistar a praça, onde ela supostamente estaria, ao longe. E logo podia vê-la também.<br />
Seu coração bateu muito forte no peito e ele diminuiu a velocidade da bicicleta.</p>
<p>Lá estava ela. Soltando o cabelo, abanando-o para trás e prendendo-o novamente, fitando atentamente a rua da qual imaginava que ele viria. A imagem o fez sorrir e ele imaginou o quanto ela estava ansiosa.</p>
<p>Vagarosamente ele se aproximou. Algumas pessoas na praça o observavam chegar, cada vez mais silencioso, freando pouco a pouco.<br />
Desceu da bicicleta a poucos metros de distância dela e a estacionou próxima a uma árvore, continuando o caminho até ela a pés.<br />
O fez com o máximo de cautela possível. Torcendo para que ela não o visse e estragasse a surpresa.<br />
Mas então, faltando pouco menos de 2 metros para que ele chegasse ao banco que ela sentava, ela o viu.<br />
Cecília saltou do banco num pulo, com um sorriso grande no rosto e correu até ele.<br />
Ele abriu os braços e ela se jogou contra ele, abraçando-o muito forte. Suas bochechas se tocaram, pois eles tinham quase a mesma altura. Ficaram assim por alguns segundos, e então afrouxaram o abraço, mas ainda tocavam-se, ela com o braços nos ombros dele e ele com as mãos na cintura dela. Nunca tinham estado tão íntimos, nunca tinham se abraçado tão carinhosamente.</p>
<p>-Você estragou minha surpresa. Chegou há muito tempo? &#8211; disse Rafael, fitando os olhos dela.</p>
<p>-Cheguei há uns três minutos no máximo. E não estraguei, na verdade até me passou pela cabeça que você fosse fazer algo assim, mas achei que não. Achei que não ia querer perder um segundo sequer vindo por um caminho diferente. Caí como sempre. &#8211; ela respondeu e sorriu.</p>
<p>-Você não entende de surpresas mesmo. &#8211; disse ele rindo em seguida.</p>
<p>-Não, mas é melhor pra você, eu acabo caindo<em> todas </em>as vezes.</p>
<p>-É verdade! &#8211; ele gargalhou.</p>
<p>Um trovão soou no céu e ambos olharam para as nuvens escuras lá em cima.</p>
<p>-Vamos, pegue sua bicicleta, a gente tem que aproveitar o tempo.  &#8211; disse Cecília.</p>
<p>-Você está com medo da chuva?</p>
<p>-A chuva não vai me impedir de passar a noite com você, se é isso que quer saber.</p>
<p>-Já sei disso, boba.</p>
<p>-Então pega a bicicleta, vai!</p>
<p>-Estou indo.</p>
<p>Rafael foi até sua bicicleta e voltou para Cecília trazendo o pequeno veículo ao seu lado.</p>
<p>A garota subiu na sua bicicleta e começou a pedalar vagarosamente, em direção à ladeira que descia da praça até a parte mais baixa do bairro, no rumo que posteriormente terminaria na praia.</p>
<p>Ele a seguiu. Montou na bicicleta e a acompanhou ladeira abaixo, em grande velocidade, permanecendo lado a lado com a amiga, que a esta hora já era algo mais que amiga, se assim podemos dizer.</p>
<p>E eles desciam, e as luzes e as casas se descortinavam ao redor deles naquele que era um dos locais mais bonitos e tranquilos da cidade.</p>
<p>Era o começo de uma noite que eles desejariam que se repetisse, mas, não haveria uma repetição. Aquele era o último passeio de bicicleta noturno de Rafael e Cecília juntos.</p>
<p>Todos os direitos reservados*</p>
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		<title>As Crônicas de Lettoria &#8211; Minah</title>
		<link>http://thandre.wordpress.com/2010/10/13/as-cronicas-de-lettoria-minah/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Oct 2010 00:50:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Serrão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Post]]></category>

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		<description><![CDATA[A vida de Minah Riburo era um trágico paradoxo da solidão. Apesar de sempre sozinha, num mundo enterrado nas profundezas da crueldade e do caos, ela sempre estava acompanhada pelas vozes. As vozes que sussurravam, choravam, gemiam, balbuciavam e gritavam em sua mente. E sorte seria a de Minah se fossem vozes como as metáforas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thandre.wordpress.com&amp;blog=7063063&amp;post=266&amp;subd=thandre&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A vida de Minah Riburo era um trágico paradoxo da solidão. </p>
<p>Apesar de sempre sozinha, num mundo enterrado nas profundezas da crueldade e do caos, ela sempre estava acompanhada pelas vozes. As vozes que sussurravam, choravam, gemiam, balbuciavam e gritavam em sua mente. </p>
<p>E sorte seria a de Minah se fossem vozes como as metáforas dos poetas. Pois nada de irreal ou metafórico havia nelas. Tudo o que estava ligado àquelas vozes só poderia ser tido como torturante, insano e insuportável. </p>
<p>Há oito anos Minah as escutava, sem um segundo de interrupção. Houve muitos momentos em que ela pensou que fosse romper, desmaiar e dormir pra sempre, finalmente em silêncio, que por si só era algo do qual ela não tinha mais lembranças. </p>
<p>E ela lembrava que não havia sido sempre assim. Houve um tempo de silêncio. Em que ao calar-se ela escutava somente o som de sua respiração. Entretanto, isso havia sido apagado de sua memória. E ela queria aquele tempo de volta.</p>
<p>&#8220;Como eu consigo resistir?&#8221; ela se perguntava, reclusa em seu quarto luxuoso, e cujo luxo perdera qualquer significado que antes possuíra, mas que ainda significava muito para tantos outros mais felizes que ela.<br />
&#8220;Porque eu consigo resistir? Porque eu não perco o juízo? Porque minha cabeça não explode com tanta confusão? Quem fez isso a mim? Porque fizeram isso a mim?&#8221;<br />
Todos estes eram pensamentos que lhe ocorriam. E a dor que cada um deles carregava era incompreensível para qualquer um, menos para Minah. E esse fato a fazia ainda mais reclusa. Pois quando ela procurava amigos, ela queria alguém que entendesse aquele que era o maior de seus problemas &#8211; e muito provavelmente o único. </p>
<p>Mas, como ela conseguiria fazer alguém entender aquela loucura? Era como pedir para que uma pessoa imaginasse o infinito para então descrevê-lo nos mínimos detalhes. </p>
<p>Minah era amiga de si mesma, e era a única do mundo inteiro. Mas, quisera ela ter desistido daquela amizade. Porque se assim fosse, tudo acabaria. Mas, ela teimava. E a teimosia a fazia chorar e a fazia sofrer. </p>
<p>Sofria assim, sozinha, acompanhada de si mesma e das vozes que lhe atormentavam, a solitária Minah Riburo. </p>
<p>Todos os direitos reservados*</p>
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